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Medicamentos GLP-1

Parei a caneta e a fome voltou: por que acontece e o que fazer

A medicação segurou a fome enquanto você tomava. O que ela não fez — e ninguém avisou — foi mudar o motivo pelo qual a comida servia para muito mais coisa do que matar a fome.

Gráfico: a fome cai enquanto a medicação age e volta a subir depois, enquanto a linha dos motivos permanece constante

Funcionou. Você emagreceu, a fome sumiu, e pela primeira vez em muito tempo comer deixou de ser um assunto que ocupa o dia inteiro.

Aí veio a volta. Pode ter sido semanas depois de parar. Pode estar acontecendo agora, ainda tomando, numa dose que já não segura como segurava. E junto com a vontade voltou um pensamento bem específico: “então eu não aprendi nada”.

Antes de tudo, uma coisa que precisa ficar clara: eu sou psicóloga, não sou quem prescreve. Nada neste texto é orientação sobre usar, manter, ajustar ou parar a sua medicação — essa conversa é com quem receitou. O que eu trato aqui é a outra metade, a que a medicação nunca alcançou.

O que a caneta faz — e o que ela nunca fez

Os análogos de GLP-1 agem sobre os sinais de fome e saciedade. Enquanto a medicação está agindo, o apetite diminui de verdade. Não é imaginação sua, não é efeito placebo e não é força de vontade que apareceu do nada.

Quando ela sai de cena, esses sinais voltam ao que eram antes. Isso é esperado, é farmacologia, e quem prescreveu explica melhor do que eu.

Mas existe uma parte que nenhuma dose alcançou em momento nenhum: o que a comida significava para você. Se comer era a forma de encerrar o dia, de baixar a ansiedade, de se dar alguma coisa boa quando nada mais estava bom — essa função continuou lá, inteira, o tempo todo. Ela só ficou quieta enquanto a fome estava desligada.

A caneta age sobre a fome. O comer emocional nunca foi sobre fome.

Por que a volta dói mais do que na primeira vez

Tem uma diferença cruel entre engordar de novo depois de uma dieta e engordar de novo depois da caneta.

Na dieta, sempre deu para culpar a dieta. Agora não dá. Agora existe uma prova de que era possível: você viu a balança, viu as roupas, todo mundo viu. Então a volta não parece um método que falhou. Parece você.

E vem a culpa em dobro — a culpa do episódio e, por cima dela, a de não ter conseguido nem com ajuda.

Essa conta está errada. O que a medicação mostrou é que o seu corpo responde. Ela nunca prometeu te ensinar o que fazer numa terça-feira ruim.

O que não foi construído enquanto a fome estava desligada

Aqui está o ponto que quase ninguém percebe na hora.

Você não comia à noite. Mas não era porque tinha construído uma estratégia para a noite — era porque não dava vontade. A diferença entre as duas coisas não aparece enquanto a medicação está agindo. Ela aparece exatamente no dia em que a vontade volta e você descobre que não tem nada no lugar.

Não é que você desaprendeu. É que não houve o que aprender: enquanto o problema estava suspenso, não havia por que construir resposta nenhuma para ele.

Por isso o melhor momento é agora, e não depois

Se você ainda está tomando, essa é a informação mais útil deste texto: agora é mais fácil.

Com a fome mais quieta, sobra espaço mental para olhar o comportamento com alguma calma — para reparar nos horários, nos gatilhos, no que acontece na hora anterior. Fazer esse mapa depois, no meio da urgência, com a vontade já batendo na porta, é muito mais difícil.

É a diferença entre estudar o caminho com o mapa aberto sobre a mesa e tentar ler o mapa dirigindo.

Por onde começar

  1. Anote os momentos, não os alimentos. Que horas, onde, com quem, e o que tinha acontecido na hora anterior. O alimento é a ponta; o momento é a informação.
  2. Procure o que vem antes. Quase sempre existe um acontecimento, um pensamento e uma emoção antes do impulso. É nessa fresta que dá para agir.
  3. Construa a resposta antes de precisar dela. Decidir o que fazer às dez da noite, às dez da noite, com a geladeira aberta, não funciona para ninguém.
  4. Separe as duas conversas. A medicação é com quem prescreve. O comportamento é com psicólogo. As duas caminham melhor juntas do que sozinhas.
Material de apoio · cerca de 2 horas

Guia Anti-Reganho

Se você usa ou usou caneta e reconheceu o que está neste texto, existe um material guiado para mapear o que está puxando: cinco aulas comigo e um percurso de 12 etapas que termina num plano de 7 dias, escrito com as suas palavras. É apoio psicoeducativo — não substitui psicoterapia nem o acompanhamento de quem prescreveu a sua medicação.

Ver o guia →

Você não falhou com a caneta. Você nunca recebeu ferramenta para a metade que ela não alcança.

Se você leu até aqui ainda tomando, aproveite: este é o momento mais barato, em esforço, para fazer esse trabalho.

Beijos, Tamala.

Se isso soou familiar

A primeira sessão individual é gratuita, e serve para entender por onde começar. Se você prefere começar sozinha e no seu tempo, o Guia Anti-Reganho percorre exatamente o que está neste texto.

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